Coluna SESCAP-LDR na Folha de Londrina: " Reforma Tributária: empresas correm para não perder os valores dos créditos de PIS e Cofins"

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09 de março de 2026

Coluna SESCAP-LDR na Folha de Londrina: " Reforma Tributária: empresas correm para não perder os valores dos créditos de PIS e Cofins"

O SESCAP-LDR orienta as empresas a fazerem um planejamento, junto ao contador, o quanto antes e a se prepararem para a mudança.

A contagem regressiva para o fim do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), marcado para 1º de janeiro de 2027, já pressiona o planejamento financeiro de empresas que tomam créditos desses tributos. A mudança é uma das mais sensíveis da Reforma Tributária, pois altera a lógica do sistema e afeta diretamente o caixa, a precificação e a gestão da cadeia de compras.

“Na atual conjuntura, é primordial que as empresas avaliem, junto à Contabilidade, como proceder e não deixem para cuidar disso apenas no final deste ano. Planejamento é a palavra-chave”, destaca o presidente do SESCAP-LDR, Euclides Nandes Correia.

O PIS e a Cofins serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na Lei Complementar nº 214/2025. “Na prática, além de mudar o tributo, muda também a forma como as empresas registram e aproveitam créditos ao longo da produção e da comercialização”, explica o advogado tributarista Henrique Gomes.

Hoje, companhias do regime não cumulativo — em geral, as do Lucro Real — podem se apropriar de créditos de PIS/Cofins sobre despesas, insumos e serviços, reduzindo a carga ao longo da cadeia. O mecanismo é decisivo para setores com muitas etapas e fornecedores, como indústria, comércio, alimentos e agroindústria. Já empresas do regime cumulativo, normalmente do Lucro Presumido, não têm esse benefício de forma ampla.

“Com a extinção das contribuições, acabam também os regimes cumulativo e não cumulativo. Embora a apuração da CBS, com sua própria sistemática de tomada de créditos, tenha início apenas em janeiro de 2027, agora é o momento de organizar os créditos que já existem de PIS e COFINS”, orienta o advogado.

A lei determina que créditos de PIS e Cofins, inclusive os créditos presumidos e ainda não utilizados, devem estar registrados na escrituração fiscal digital até a data de extinção. “Se o crédito não estiver formalmente reconhecido e escriturado até o fim de 2026, a empresa corre o risco de ver esse valor se perder na virada”, alerta Gomes.

Segundo o advogado, muitas empresas tratam crédito como “rotina”, quando, na verdade, é um ativo que pode fazer falta no caixa. “Crédito não escriturado pode desaparecer. E, numa mudança desse tamanho, perder crédito significa perder margem e fôlego financeiro justamente na entrada da CBS”, afirma.

Além do impacto financeiro, a falta de organização tende a elevar o custo de conformidade. Falhas de registro, erros na classificação de despesas e ausência de documentação podem gerar questionamentos administrativos e judiciais, prolongando a insegurança e aumentando os gastos com contencioso.

A orientação vale também para quem, até agora, via pouca vantagem em crédito. No Lucro Presumido, com a CBS, o modelo tende a ser amplamente não cumulativo, exigindo revisão de custos, fornecedores, contratos e despesas para entender a geração e o aproveitamento de créditos. Ou seja, não se trata apenas de “salvar” o passado, mas de preparar a operação.

Nesse cenário, a recomendação é tirar o tema do operacional e levá-lo para a estratégia: revisar a escrituração, auditar créditos, mapear despesas elegíveis e ajustar processos internos, especialmente em 2026.

A Reforma Tributária não mexe apenas no imposto do futuro: para muitas empresas, o impacto mais imediato está em como gerir os créditos já formados e que podem fazer diferença no caixa quando o novo sistema começar a valer.

“O SESCAP-LDR tem apoiado as empresas na transição da Reforma Tributária, orientando-as e oferecendo cursos, workshops e palestras que visam preparar e esclarecer dúvidas não apenas das empresas contábeis, mas também de prestadores de serviços de diversos segmentos”, reforça o presidente da entidade.

Fonte: Jornal Folha de Londrina | Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (SESCAP-LDR)