Coluna SESCAP-LDR na Folha de Londrina - "Reforma Tributária não é só imposto: é estratégia de negócio."

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23 de fevereiro de 2026

Coluna SESCAP-LDR na Folha de Londrina - "Reforma Tributária não é só imposto: é estratégia de negócio."

Novo sistema muda lógica de arrecadação, afeta caixa, tecnologia e decisões estruturais das empresas

A Reforma Tributária brasileira promove uma das maiores reorganizações do ambiente de negócios das últimas décadas. Mais do que substituir tributos, a criação do IBS e da CBS, a adoção do princípio do destino e a introdução de mecanismos como o split payment mudam a forma como as empresas operam, planejam e tomam decisões.

Apesar de parte do debate público ainda se concentrar na carga tributária final, o impacto mais relevante está na nova lógica de arrecadação e controle: mais automática, rastreável e integrada aos meios de pagamento e sistemas digitais. Na prática, o tema tributário deixa de ser apenas uma rotina fiscal e passa a influenciar diretamente a gestão, o planejamento e a competitividade.

Segundo o advogado tributarista Victor Hugo Rocha, a reforma exige uma mudança de postura. “O novo sistema transforma o tributo em variável estratégica. A forma como a empresa vende, recebe, financia suas operações e estrutura contratos passa a influenciar diretamente sua eficiência tributária”, afirma.

Um dos pontos mais sensíveis é o split payment, que prevê a separação automática do tributo no momento da liquidação financeira. Nas vendas à vista, o efeito tende a ser imediato: parte do valor deixa de transitar pelo caixa, exigindo revisão de capital de giro, políticas de preço e negociação com fornecedores. Já nas vendas a prazo, o recolhimento acompanha o fluxo financeiro da operação, evitando que a empresa antecipe imposto sobre receitas ainda não recebidas. Isso corrige um desequilíbrio histórico e pode aliviar o capital de giro de setores com prazos longos, como indústria, atacado e serviços recorrentes. “Quando bem estruturado, o split payment reduz incertezas, passivos e disputas futuras, mas isso depende de preparo tecnológico e contratual”, ressalta Rocha.

A tecnologia, aliás, torna-se eixo central. A integração entre ERPs, sistemas fiscais, plataformas de pagamento e instituições financeiras deixa de ser opcional. Empresas com múltiplos canais — físico, digital, marketplace ou plataformas próprias — precisarão garantir consistência e rastreabilidade das informações em tempo real. “A reforma penaliza o improviso. Sem integração, aumentam os riscos de erros, autuações e perda de competitividade”, alerta o tributarista.

Outro efeito estrutural aparece na reorganização das cadeias produtivas e comerciais. Com a tributação no destino, decisões sobre localização de centros de distribuição, filiais, operações interestaduais e modelos logísticos passam a ter novo peso econômico. Contratos comerciais, precificação, modelos de remuneração e até a escolha de meios de pagamento também precisarão ser revistos. “Não é uma reforma que se resolve com ajuste contábil no fim do mês. Exige planejamento, simulação de cenários e decisões antecipadas”, afirma.

Para Victor Hugo Rocha, o maior risco está na leitura superficial do processo. Empresas que tratarem a Reforma Tributária apenas como obrigação futura podem perder eficiência, margem e competitividade. O período de transição é a janela estratégica para reorganizar operações, testar estruturas e transformar conformidade em vantagem. Nesse contexto, a atuação integrada entre as áreas jurídica, contábil, financeira, tecnológica e de estratégia torna-se fundamental. Mais do que pagar impostos de forma diferente, as empresas precisarão pensar e operar diferente.

O presidente do SESCAP-LDR, Euclides Nandes Correia, explica que, com a adoção de um modelo baseado em crédito amplo, a governança fiscal passa a ser mais exigida, e a gestão tributária tende a se tornar mais estratégica. Nesse cenário, o compliance ganha ainda mais relevância, porque erros documentais podem gerar perda de créditos, aumentando riscos e impactos financeiros.

“O departamento fiscal deixa de ser apenas operacional e assume um papel estratégico no negócio. A recomendação é que as empresas mapeiem os impactos tributários desde já, revisem processos internos e a tecnologia, principalmente os sistemas de emissão e gestão fiscal, invistam em capacitação e assessoria especializada para adequar seus regimes e tratem a Reforma como parte da estratégia empresarial, e não apenas como uma obrigação legal”, ressalta o presidente do SESCAP-LDR.

 

 

Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e de Serviços Contábeis de Londrina e Região (SESCAP-LDR).